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terça-feira, 24 de junho de 2008

da síndrome "da acumulação sensorial"




"Se você fechar os olhos e o nariz e beber tudo de uma vez, você não vai sentir nada". Mentira, você vai sentir tudo!

Hoje começa minha páscoa, meu natal, meu aniversário, minhas férias... Cada data, acontecendo junta e cada segundo.

Tchau pessoal, até...

segunda-feira, 26 de maio de 2008

da síndrome do "respeito"



Havia seis santos embaixo da ponte

Um rato veio e comeu suas cabeças
Então, o rato é o verdadeiro santo.

Se o rato é um santo por que o gato o come?
Então, o gato é o verdadeiro santo.

Se o gato é o santo por que o cão o come?
Então, o cão é o verdadeiro santo.

Se o cão é o santo por que o lobo o come?
Então o lobo é o verdadeiro santo.

Se o lobo é o santo por que o fogo o mata?
Então o fogo é o verdadeiro santo.

Se o fogo é o santo por que a água o apaga?
Então a água é o verdadeiro santo.

Se a água é o santo por que o homem a bebe?
Então o homem é o verdadeiro santo.

Se o homem é o santo por que ele reza para os santos?

Provérbio budista

Seria certo falar em nossa natureza? Há poucos minutos vi no jornal local a chamada falando sobre o caso da agressão que sofreu o engenheiro da eletrobrás paulo fernando rezende.

Não vou me apressar e dizer que acho isso ou aquilo. Os kaiapós - e as outras comunidades indígenas - não são animais que devem ser "bem-tratados" e ai eles se comportam. A eles deve-se o respeito como a qualquer outro ser humano. Mas o que me impressionou foi a declaração do delegado da polícia federal (não atentei para o nome dele) que disse que: "a questão é definir se o facão é considerado ou não parte da cultura dos índios".

Discordo dele, não é essa a questão. Enquanto não pararmos de ver as organizações sociais diferentes da nossa pelos nossos olhos, estaremos apenas brincando de respeitar. O bispo dom erwin krautler disse o seguinte sobre o que aconteceu: "Tenho que dizer que o homem não usou de pedagogia para com os povos indígenas. Ele não entendeu a alma kaiapó, senão não teria acontecido nunca um incidente como este".

Se o homem é santo por que ele reza para os santos? É sua natureza? Ou seu costume?


terça-feira, 6 de maio de 2008

da síndrome de "john ford"

Opa! Segundo post seguido falando de filmes, pelo jeito isso aqui vai ficar parecendo um blog de cinema - ha! That'll be the day! (Até parece...)

***

Sendo rápido, john ford é um gênio! Os traços de sua obra estão vivos até hoje. Há poucos minutos estava lendo um blog de amigos, eles fizeram uma lista de heróis e colocaram no topo dela o batman. Concordo com eles, e se eu concordo devo a john ford.

Ele foi um dos primeiros diretores a destacar o personagem amoral, que não tem vergonha de odiar seu inimigo, de cumprir votos vencidos e enxergar a futilidade de certos "luxos" civilizados. E se estou falando isso foi graças a volta do "cinema na casa", um conjunto de exposições de filmes, nos moldes de um cineclube (ou seja na faixa, de graça, sem pagar nada e totalmente gratuito), todas as terças-feiras as 18h30m na "casa da linguagem", em frente a yamada na avenida nazaré (logo no início) ao lado do prédio do inss, n.° 31, coordenadas no google earth 34 08 00.40 N 118 19 17.28 W. Durante todo o mês de maio, será o ciclo john ford. As quatro exibições serão:

“rastros de ódio”, (foi hoje)
“paixão de fortes”, (13/5)
“o homem que matou o facínora” (20/5) e
"no tempo das diligências" (27/5),

Uma das cenas que mais me encanta é quando o personagem de john wayne (ethan andrews) atira nos olhos de seu inimigo comanche morto, pois na crença do comanche, a alma dele precisava dos olhos pra cruzar para o mundo espiritual, sem os olhos sua alma estava condenada.

Não me entendam mau, não quero fazer apologia a cultura americana do selvagem maligno e dos exploradores vítimas, já fiz 8 anos e sei que fadas existem mas não são bonitinhas e alegres e sim negras e assustadoras. Lembro de histórias e desastres suficientes pra entender como foi o resultado do choque de duas culturas tão antagônicas. Mas sabe o que fascina? O fato de john ford, através do outro john, o wayne, aceitar esse preconceito (o que, por exemplo, ele sente pelo personagem de jeffrey hunter, um mestiço). A segunda coisa que me encanta? O olho de ford.

A câmera estática flerta com a inocência do público. Nada de ângulos escabrosos e irreais, ela está ali, parada, discreta, e ela está assim, porque o olho de ford sabe que eu tenho que crer que aquilo é real! Tenho que ser encantado pela crueza e possibilidade de tudo aquilo, tenho que saber que é de verdade! A outra manifestação desse olho é nos espaços.

A primeira tomada de "rastros de ódio" (preferi o título em inglês, the searchers), é um avanço discreto de câmera através do vão de uma porta, onde a silhueta de uma mulher com um vestido antigo é recortada diante da paisagem grandiosa, e a medida que essa visão se amplia, nossos olhos são espancados pela grandiosidade do deserto, a sua aridez, que pode esconder um ethan andrews voltando pra casa, é a mesma que continua a seguir seu curso com uma casa queimada.

Não quero estragar o sabor de quem ainda não provou dessa história. Mas semana que vem, na terça-feira, na casa da linguagem, as 18h30m mais uma vez ford nos fará ver por seus olhos. Pode não parecer, mas existe um mundo sob o "mundo" que é belém.

"Is this an invite to a necktie party, Reverend? "





quinta-feira, 3 de abril de 2008

da síndrome da "estrada solitária"



Aqueles mais atentos devem ter notado que os textos ficaram mais rarefeitos nesses últimos dias. Se tornaram menores, e o intervalo entre eles maior. Quando pensei nesse blog, imaginei um espaço onde eu pudesse dividir minhas opiniões, meus gostos, "coisas" sem explicação ou motivos, minhas síndromes. Não imaginei que hoje perto do aniversário de terceiro mês teria quase 3.000 visitas (mas o stat counter me diz que poucos permanecem tempo suficiente pra ler algo de fato), não imaginei que eu teria uma freqüência diária de escrita, não imaginei o quanto me fez bem.



Bom, agora uma das estradas pela qual eu sigo está me tomando muito tempo. É uma estrada longa e complicada, uma que não deveríamos seguir sozinhos, mas acabamos por fazê-lo. Se tem uma coisa que a estrada (essa UNIVERSIDADE da vida) me ensinou foi: "Dê seus próprios passos, ninguém vai segurar sua mão". Acho que estou fazendo isso, tenho me esforçado. Por esses dias aqui nessa estrada de síndromes vou vir uma vez a cada dois dias, e por lá naquela estrada solitária vou decidir que passos dou, vou tentar seguir esse conselho mais uma vez.



Uma última pérola da sabedoria do auto aprendizado: "Eu não venho aqui pra dar aula, venho aqui pra me divertir!", sorte a meus companheiros de universid... digo estrada, até dia 5/4!


Você consegue ver a "estrada solitária"?



quinta-feira, 27 de março de 2008

da síndrome de "nazaré"



Hoje em dia, muito se fala sobre pirataria e os problemas que cinemas e gravadoras estão tendo. Fala-se de milhões sendo perdidos. Afinal realmente deve doer no bolso quando um cd que tem um preço médio de fabricação de $ 4,00, fica encalhado nas prateleiras porque ninguém se dispõe a pagar os R$ 50,00 que são cobrados (e mesmo nas mais grotescas cotações, a diferença é grande!)

Há pouco no jornal local da rede globo, a notícia do desmoronamento do cinema nazaré foi repassada. A primeira apresentação foi ontem. Uma das mais antigas e belas salas de cinema do brasil desmoronou. O motivo foi apenas um: um acidente.

do lat. accidente

s. m.,
acontecimento fortuito;

percalço;

desastre;

infelicidade, revés;
Retirado do dicionário virtual priberam

Ora, se foi um acidente (como disse nosso famigerado jornal local), não foi culpa de ninguém correto?

Pois bem, a PORTO SALGADO ENGENHARIA LTDA, empresa do nordeste brasileiro, foi avisada duas vezes pela delegacia regional do trabalho. No primeiro aviso, em 8 de fevereiro, foi constatado a falta de utilização de equipamentos de segurança, a falta de cuidados nos sistemas elétricos dentre outras irregularidades.

Um jovem de 23 anos foi levado ao hospital com fraturas expostas na perna e no braço, ele caiu de dez metros e ficou sob escombros por muito tempo. Ele teve sorte, um incêndio seria muito pior pra ele.

A empresa não pagou os direitos dos 62 trabalhadores que ela trouxe do nordeste, os alojava em salas improvisadas nos fundos da obra e dispensava aos trabalhadores uma condição sub-humana, sem nem mesmo os cuidados básicos de higiene e conforto.

Acidente.

Não, a empresa não foi a responsável pelo fechamento das portas do cinema nazaré. Foram os lucros que não cruzaram aquelas portas. Num momento onde não vamos mais a cinemas e sim a shoppings, onde não fazemos fila no sol e na chuva pelos ingressos, mas vamos comer uma pizza e ver se esta passando um filme legal, a resistência do cinema nazaré foi heróica.

Falamos de pirataria de filmes, mas a verdade é que deixamos de amá-los. Apenas estamos com eles por conveniência, por comodidade. O cinema nazaré era uma testemunha disso. Ele ia se transformar numa loja de departamentos. Digo ia, pois ele não existe mais, não pra mim. Na minha mente ele sempre será o imponente teto de gesso que vazia lembrar um céu emeranhado onde imagens e sons se impregnaram, o mar de assentos que como ondas te atiravam na direção do filme, o ar elétrico que sempre esteve no corredor que antecipava o êxtase de uma estréia. Pra mim ele será assim.

Queria dizer que ele caiu de dor e vergonha. Mas a verdade é que não houve algo como um "acidente". Tudo foi um processo que culminou na notícia de ontem e de hoje.

Hoje é dia mundial do teatro. Fantasias irmãs.

Hoje é aniversário do ver-o-peso (381 anos). Memórias irmãs.

Em respeito ao luto da queda de um, o silêncio pela persistência do outro.




Projetores sendo retirados.
Até outra vida, quando formos ambos gatos.

Dessas e outras imagens, belém centro
Dessas e outras impressões, 100grana



terça-feira, 25 de março de 2008

da síndrome do "dia deu em chuvoso..."



Tenho a sensação que todas as vezes que volto a belém, não importando de onde venho, a cidade me recebe cinza.



Como amazônida, sei que a palidez da manhã e a chuva fina pela madrugada significam: um sorriso.



São por manhãs assim que amo essa cidade úmida! É como uma irmã temperamental (entendo disso muito bem), te fecha a cara, te provoca, e quando pensas que vais ter um dia horrível, te sorri com ternura.



Minha cidade úmida, sinto tua falta todo dia!





belém, durante a chuva
aquarela, 40x28cm, 1998
jorge eduardo



quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

da síndrome das "cidades"

Desde a primeira vez que vim em curitiba, nunca andei em curitiba, como andei nesses dias. É dificil falar de cidades. Elas não são os prédios antigos, nem mesmo as pessoas. Uma cidade é algo vivo. Um conjunto de prédios, concreto e carne. Cidades são pessoas. Entendam, cidades não são as pessoas, cidades são pessoas.

Há pouco li um email de um amigo dizendo que tem planos de ir embora de belém. Como ele comentou: "O thiago também vai, assim que tiver condições e oportunidade". Ele está certo. Penso em vir pra curitiba. Todavia eu não conheço a cidade, andei por ela, mas andeia pela parte bonita dela. A parte feia - que sei que existe - ainda não me foi apresentada, já a conheço por nome, por jeito, até pelo tom da voz. Mas nunca a vi, nunca apertei sua mão, não sei como é seu rosto. Nesse ponto conheço melhor belém.

Minha decisão de ir, não é pelo que não conheço de curitiba. É pelo que conheço de belém. Alguns acham que a cidade é pouco ambiciosa, e que é dificl fazer ousar ou vencer. Não concordo. Desejo me afastar de belém, como quem deseja se afastar da mãe. O momento chega em que você tem de ousar novos passos.

Há dias (12 de janeiro) tive palavras presas pra falar de belém. Hoje longe dela parece que a entendo melhor. Já disse isso aqui, mas walter benjamim diz que no final do processo se possa entender melhor o objeto de estudo. Por isso desejo ir pra longe de belém (além de mil outros motivos), pra entender melhor minha cidade, minhas raizes, entender melhor quem eu sou. Sou piegas e tolo. Mas gosto da minha escolha. Prefiro.