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terça-feira, 24 de junho de 2008

da síndrome "da acumulação sensorial"




"Se você fechar os olhos e o nariz e beber tudo de uma vez, você não vai sentir nada". Mentira, você vai sentir tudo!

Hoje começa minha páscoa, meu natal, meu aniversário, minhas férias... Cada data, acontecendo junta e cada segundo.

Tchau pessoal, até...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

da síndrome das "cidades"

Desde a primeira vez que vim em curitiba, nunca andei em curitiba, como andei nesses dias. É dificil falar de cidades. Elas não são os prédios antigos, nem mesmo as pessoas. Uma cidade é algo vivo. Um conjunto de prédios, concreto e carne. Cidades são pessoas. Entendam, cidades não são as pessoas, cidades são pessoas.

Há pouco li um email de um amigo dizendo que tem planos de ir embora de belém. Como ele comentou: "O thiago também vai, assim que tiver condições e oportunidade". Ele está certo. Penso em vir pra curitiba. Todavia eu não conheço a cidade, andei por ela, mas andeia pela parte bonita dela. A parte feia - que sei que existe - ainda não me foi apresentada, já a conheço por nome, por jeito, até pelo tom da voz. Mas nunca a vi, nunca apertei sua mão, não sei como é seu rosto. Nesse ponto conheço melhor belém.

Minha decisão de ir, não é pelo que não conheço de curitiba. É pelo que conheço de belém. Alguns acham que a cidade é pouco ambiciosa, e que é dificl fazer ousar ou vencer. Não concordo. Desejo me afastar de belém, como quem deseja se afastar da mãe. O momento chega em que você tem de ousar novos passos.

Há dias (12 de janeiro) tive palavras presas pra falar de belém. Hoje longe dela parece que a entendo melhor. Já disse isso aqui, mas walter benjamim diz que no final do processo se possa entender melhor o objeto de estudo. Por isso desejo ir pra longe de belém (além de mil outros motivos), pra entender melhor minha cidade, minhas raizes, entender melhor quem eu sou. Sou piegas e tolo. Mas gosto da minha escolha. Prefiro.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

da síndrome da "fé"

Sobre todos os assuntos que gosto de falar o que mais me agrada é religião! O motivo é simples: A religião é em essência individual e única. É através da religião que nos ligamos a algo que nos guia, impulsiona e mantêm. Você pode ser religioso e não ter fé. A fé é o credo no que é impossível, no que é mágico. A religião é uma concepção filosófica. Por exemplo: As visões mais conservadoras na igreja adventista (igreja da qual eu faço parte), pregam que é pecado comer carne de porco, posto que é um dos animais considerados impróprios para o alimento (levítico cap. 11). Todavia, eu creio que comer carne de porco é desaconcelhável, mas não pecado. Essa é a forma da minha fé, que me associa a concepção filosófica em questão.


Isso me lembra o que locke dizia: "O homem é uma távola rasa, a sociedade que o corrompe". Nossas fés e concepções são também uma távola rasa. Nós as moldamos para o bem e para o mal. Para a compreensão e intolerância. São nossos desafios individuais, nossas vitórias pessoais. Nossas concepções de bem e mal. A verdade é que não temos juizes, e na maioria das vezes, nos focamos só em NOSSOS valores, e os levantamos como se estivéssemos na terceira cruzada.

Falar em mal me vem a cabeça o filme "diamante de sangue" (direção de edward zwick, muito piegas, mas rende uma diversão). Há um diálogo muito interessante sobre o gênero humano. Rende a frase: "Não há pessoas boas ou más. Nossas ações nos definem".

Há muitos paralelos entre a religião e o ser humano. E tudo isso me veio a cabeça quando diante de mim eu vi a catedral que fica no marco zero de curitiba. É dedicada a Nossa Senhora da Luz do Pinhais, a padroeira de curitiba (que significa pinheiral, mas isso já é outra síndrome). Foi construida em 1893, e permaneceu como igreja matriz até 1911. Em estilo neogótico, o projeto é de autoria do arquiteto francês alphonse de plas. É belíssima. Imponente. Simbólica.



Entrei. Não tinha intenção de tirar fotos, mas foi mais forte. Pedi autorização e comecei a escolher ângulos e formas que senti que deveria (aqui eu compartilho algumas, outras são só minhas). Sentando num dos bancos eu ouvi uma voz sussurrando uma prece. Olhei pra traz e vi uma senhora ajoelhada, ela rezava com muito fervor. Lágrimas caiam discretas dos seus olhos e a preçe que fazia era numa língua estranha pra mim. O que pra mim eram ângulos e poses, pra ela era fé. Não me senti culpado. Mas fiquei pensativo e num estado de espirito intrigado. Hoje, dias depois, resolvi falar sobre isso.




Igrejas, leis, tradições - távolas rasas: somos nós quem as corrompemos. E acaba que somos bons nisso.





Vista do pórtico esquerdo com torre ao fundo.




Destaque da torre esquerda.




Orgão na parte superior central interna da catedral. Notem as formas na abóboda sobre o orgão. Esse padrão está presente em toda a igreja.








sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

da síndrome dos "sonhos - o urso e a flor"

Era uma vez um urso e uma flor. Nenhum dos dois se conhecia e nem mesmo havia entre eles um amigo em comum. A flor, era intrépida, muito bonita e muito forte, de uma beleza cálida e suave. Apenas se ressentia, porque, às vezes, durante as tempestades seu caulezinho se dobrava com a força das chuvas. A flor era triste por não ser uma árvore.

Já o urso era muito grande e peludo. Tinha uma cara de mau e causava uma certa impressão. Parecia um bom urso, gostava de peixe, sabia caçar e era quieto. Mas também era um grande bobalhão, e sonhava acordado com coisas impossíveis. O urso era triste por não poder falar de seus sonhos.

Apesar da natureza do urso ser mais sonhadora, ambos tinham devaneios enquanto dormiam. Eles sonhavam. E nos seus sonhos eram pessoas, com seus desafios e provas.

E toda essa história começa com um sonho.

No sonho do urso, ele estava em uma grande sala rodeado de outros seres humanos. Lá ele podia falar de seus sonhos. Mas ainda faltava alguma coisa, que o urso não sabia o que era. Nessa sala, todos comiam com felicidade. "Parece uma fortaleza de amigos", ele pensou. E no sonho dele havia uma moça. Era intrépida, muito bonita e muito forte, de uma beleza cálida e suave. O urso olhava pra ela e ela parecia uma flor! Então o urso esperou a primeira oportunidade pra ir até ela e conversar com a moça-flor.

Já no sonho da flor, ela era uma moça. Era segura de si e bem sucedida, travava seu próprio caminho e não estava triste por não ser uma árvore. Em seu sonho, ela chegou numa sala onde muitos estavam comendo. E lá muitos tinham idéias parecidas com as dela. E ela falava com segurança e felicidade. E no seu sonho apareceu um moço. Ele era peludo e meio bobalhão, mas tinha um certo charme. E nesses sonhos a moça-flor e o moço-urso começaram a conversar e se tornaram amigos.

Durante todos os dias, continuaram a ser flor e urso, sem nem imaginar que, em outro lugar, longe dali, havia outro alguém que sonhava como eles. E todas as noites, em sonhos, conversavam através de cartas e pensamentos, a moça-flor e o moço-urso. Um dia, eles sonharam que iriam se encontrar. Seria num lugar bonito, só deles. Quando acordaram, os dois rumaram pra esse lugar que viram em seus sonhos.

Quando se aproximaram de lá viram (cada um de seu lado) belas e lindas campinas. Entretanto, uma chuva torrencial caía sobre um dos lados da campina. E era o lado da flor. Estava dificil ver qualquer coisa. Mas do outro lado o urso viu a flor, e no mesmo momento reconheceu nela a moça-flor de seus sonhos! Então naquele momento, usando toda a sua voz de urso, ele gritou mais alto que a chuva! E ao mesmo tempo foi mais doce que o vento: "Eu gosto de você!". A flor ouviu a voz, e reconheceu na voz o timbre peculiar da voz do moço-urso de seus sonhos. Mas a chuva impedia a flor de ver direito. O urso se entristeceu e se voltou pra ir embora. Então a flor disse; "Volte!", e a voz da flor se fez ouvir como um sussurro, mas poderosa o suficiente. Então o urso disse que logo voltaria, assim que chegasse o tempo.

A flor ficou muito triste, e voltou pra seu lar. Então um dia, de perto da montanha em que a flor morava, o urso despontou. E ele pensou no que o sonhos fizeram com ele. E ele para.Naquela situação a flor já o havia visto. E corre até ele! Sem mesmo entender o motivo, os dois vivem um dia maravilhoso, e quando vão dormir, descobrem que eles tinham descoberto um portal! E nesse portal, ele poderia ser o moço-urso, e ela, a moça-flor! Então eles respiraram muito fundo e juntos cruzaram o portal! E vivem felizes para sempre - desde 26 de julho de 2006!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

da síndrome de "eros e psique"

Resistam, sigam o exemplo do príncipe e persistam. Leiam até o final e resgatem (se for este o caso...)



Eros e Psique


fernando pessoa.



Conta a lenda que dormia

Uma Princesa encantada

A quem só despertaria

Um Infante, que viria

De além do muro da estrada.


Ele tinha que, tentado,

Vencer o mal e o bem,

Antes que, já libertado,

Deixasse o caminho errado

Por o que à Princesa vem.


A Princesa Adormecida,

Se espera, dormindo espera,

Sonha em morte a sua vida,

E orna-lhe a fronte esquecida,

Verde, uma grinalda de hera.



Longe o Infante, esforçado,

Sem saber que intuito tem,

Rompe o caminho fadado,

Ele dela é ignorado,


Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino

Ela dormindo encantada,

Ele buscando-a sem tino

Pelo processo divino

Que faz existir a estrada.



E, se bem que seja obscuro

Tudo pela estrada fora,

E falso, ele vem seguro,

E vencendo estrada e muro,

Chega onde em sono ela mora,


E, inda tonto do que houvera,

À cabeça, em maresia,

Ergue a mão, e encontra hera,

E vê que ele mesmo era

A Princesa que dormia.





Sempre pensei nesse poema como sendo o simples: "O que você busca sempre esteve ao seu alcançe". Mas aprendi que também pode ser: "O que resgata, precisa ser resgatado". Pelo dia 26 de julho de 2006, eu prefiro ser resgatado!

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

da síndrome da "casa"

17° celsius. E diante de mim aquele prédio meio bege. Me perguntei o que eu estava fazendo ali. No passado nunca tive dúvidas do que eu queria fazer da minha vida. Queria ser militar. Era meu sonho, tinha um certo fascínio pela ordem, e as histórias de confrontos me encantavam. Me matriculei num curso preparatório pra colégios militares. Sabe aqueles lugares onde você estuda e faz exercícios como se sua vida dependesse disso? Pois bem, então eu cresci.



Eu comecei a ver que as guerras não são tão engraçadas como na minha mente infantil. Que o que se ouvia nos campos de batalha não eram minha onomatopéias de tiros, e sim gritos de agonia de pessoas que morriam sem motivos, sem razões. Vi que a ordem que me fascinava era a dominação e o sentimento sedutor era o de não pensar, mais agir. Mudei. Mas aquele prédio me chamou atenção. Então hoje eu resolvi entrar.



O museu que visitei (acabei de voltar, apenas tirei os sapatos e vim escrever), chama-se "casa do expedicionário". Tinha uma bela coleção. O mais interessante é que não se trata de cópias ou réplicas, e sim de artigos reais doados por amigos e pracinhas daquele período.




Nessa "casa", havia uma seção que era em homenagem a um certo sargento chamado max wolff filho. Pelo que pude ler sobre ele, tratava-se de um héroi. Condecorado por bravura em várias ocasiões, inclusive na tomada do monte castelo, o dito sargento morreu numa patrulha sob fogo alemão e, de acordo com relatos de sobreviventes, o pequeno grupo resistiu ao fogo inimigo muito pela coragem do dito sargento. Ao que parece o nome do sargento é usado pelo batalhão de infantaria blindada daqui de curitiba.



A baixo da série de imagens em preto e branco, havia uma foto de uma senhora. Era uma foto colorida, e a senhora sorria com certa formalidade. Abaixo a legenda dizia quer aquela era a única filha do sargento, e que agora residia em curitiba. Expostos naquela sala estavam, além da bandeira que envolveu o corpo do sargento, uma série de outros pertences pessoais do sargento. Eu me perguntei se aquelas lembranças não fariam falta a ela. Mas certamente não. Afinal, ela não era filha do sargento max wolff filho. O nome de seu pai era max. Ela com certeza sentiu falta do sargento. Será que ele quis lutar naquela guerra? Escolheu? Alguém escolheu? Generais, soldados, vítimas, alguém escolheu aquela guerra?



Enquanto eu pensava um grupo de crianças entrou na sala. Aparentemente primos, três meninos, disputavam entre si uma revista e a atenção de três senhores. Impressionavam-se com as medalhas coloridas, os uniformes expostos e brigavam por uma revista. A guerra continua a ser uma brincadeira de crianças. Mas creio que a filha do héroi de curitiba não gostou muito da brincadeira.




Foi triste o nome do museu ser "casa so expedicionário" de alguma forma alguns ali não tiveram casa a retornar. Não sei se pelo frio, ou o silêncio depois das crianças orem embora, até mesmo os vultos de uniformes de homens que lutaram (estam vivos ainda os que usavam essas roupas? Morreram no conflito? Depois?). A cena da despedida foi melancólica.
A casa estava vazia, havia apenas fantasmas em vidros.