quarta-feira, 26 de março de 2008

da síndrome da "vida por inteiro"

Cinco dias se passaram em completa escuridão e frio. Noites, manhãs, tudo apenas é um conjunto de memórias borradas, as únicas certezas são o frio enregelante e o vento forte dos alpes franceses. A consciência podia oscilar entre o real e o imaginário, mas em ambos, a forte tempestade que aprisionou jamie andrew e seu amigo no topo das droites estava presente.

Essa é a história de jamie andrew que ele conta em seu livro "por inteiro" (life and limb). Uma história de superação. Claro que existem muitos exemplos de superação em livros, filmes e qualuqer outro meio possível, mas na história dele em específico o peso das cicatrizes emocionais e físicas que ele trouxe consigo da montanha, e a crueza com a qual ele nos permite dividir cada sensação, cada medo, cada sucesso e fracasso, faz com que a história seja nossa também.

Nunca aceitar a palavra impossível. Nos últimos meses tenho pensado muito sobre o medo que sinto de encarar meus próprios desafios. Meu medo é de duas palavras: futuro e estagnação. Eu as vejo como partes de uma balança.

Tenho medo do futuro, por que não sei o que fazer com ele! Não sei se vou conseguir trabalhar no que gosto, se de fato gosto do que acho, se vou conseguir vencer os meus desafios internos e pessoais e de muitas outras coisas. Tenho medo do futuro por que ele é etéreo demais para se apoiar nele.

Tenho medo da estagnação por que ela me ameaça do canto do olho. Cada vez que questiono o futuro sinto medo dela e da resposta fácil que ela representa, tenho medo de me acostumar a ela e me deixar vencer.

Sei que devo fugir da estagnação com prudência e enfrentar o futuro com responsabilidade. Mas tenho medo de falhar nisso.

Há uma seqüência no livro em que jamie tem dúvidas se ele está pronto pra enfrentar o mundo fora do hospital. Ele se questiona e se vê com muito medo do que o aguardaria lá fora. Basedo nesse medo ele decide: É hora de sair.

Não em envergonho de sentir medo. Creio que é natural (ao menos em mim o é), me envergonharei se um dia eu deixar o medo me controlar, se eu não encará-lo e tomar uma decisão tão parecida com a de jamie. Não posso ser prepotente e afirmar: "Eu consegui", mas posso dizer com segurança: "Não estou sozinho, não vou me entregar".

O dia de hoje, pelos vinte meses que representa e pela leitura final do livro me fizeram pensar no quanto as pessoas ao meu redor são importantes pra mim, no quanto eu posso fazer. Se eu sinto medo do futuro e medo de estagnar, só uma coisa há a fazer: Enfrentá-los com tudo o que eu tiver, e sei que minhas palavras não me trairão!




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