sábado, 8 de março de 2008

da síndrome de "por um outro dia"

Dessa vez os mangás vão esperar, já tivemos o luto, agora a comemoração.

O dia internacional da mulher, comemorado hoje, é uma data em que se mostra apreço e respeito pelas mulheres que nos cercam... Não é bem assim.

Em 1857 no dia 8 de março operárias em nova iorque protestavam nas ruas por causa das más condições de trabalho e dos salários reduzidos.

Há 100 anos atrás, nesse mesmo dia, 15.000 mulheres marcharam sobre a mesma nova iorque exigindo condições de trabalho, direito de voto e redução da jornada de trabalho.

O primeiro dia internacional da mulher na realidade foi comemorado em 28 de fevereiro de 1909 através de uma declaração do partido socialista da américa. E em 1910 a primeira conferência internacional sobre a mulher, com a direção da internacional socialista foi realizada em copenhague. Foi nessa conferência que foi estabelecido o dia internacional da mulher na data que hoje se comemora.

Entretanto em nossas sociedades esquecemos esse dia. Não como a data, mas o que ele representou. Esquecemos a memória de inúmeras mulheres que oprimidas se revoltaram contra seus opressores se recusando a ficar em silêncio. Eram mães e irmãs e filhas e mulheres em toda a complexidade e amplitude da palavra. Em memória delas o dia de hoje foi instituído, em lembrança a elas e a sua luta

Em um outro lugar no tempo no dia 18 de fevereiro (calendário juliano) ou 8 de março (calendário gregoriano). Grupos de mulheres despedidas de fábricas se agruparam e marcharam sob as ruas de são petersburgo. Elas não tinham uma líder. Todas em comum lideravam (a utopia máxima). Ali não era um momento de simples revolta, era o embrião de uma revolução que marchou em sangrou por aquelas mulheres. Os soldados do czar as encaravam com armas e perguntavam pela sua líder, elas respondiam que as liderava "a mãe e a irmã de soldados do front, pois somos da mesma família, vocês e nós".

Foi um outro lugar no tempo, talvez esquecido.


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